Quando estava grávida tentei ler o máximo possível sobre parto normal e natural….mas como poucas mulheres no Brasil ainda tentam o parto normal achei interessante colocar aqui a minha experiência…….
Este post foi feito com muito carinho, a pedido das minhas amigas curiosas ou que sempre sonharam em ter um parto normal e não conseguiram, que ele traga inspiração e força para o próximo parto.
Foi a experiência mais intensa e linda da minha vida, e assim como alguém que faz uma cirurgia plástica para ficar mais bonita, e sente dor antes de ver o resultado, a dor do parto também passa e você tem o presente mais lindo do mundo, seu filho/a!!!
Foi na noite do dia 5 de Julho (2011) que percebi que alguma coisa estava acontecendo, depois de passar o dia todo “reinando” na privada (um dos sinais de que o trabalho de parto esta perto, não fosse a dose extra do laxante natural que tomei pela manhã) , acabei perdendo o famoso “tampão” tarde da noite. A principio não tinha certeza se era isto mesmo, afinal todo mundo falava que o tal “tampão” muitas vezes nem é visto até o momento do parto, e que aquele tampão que estava no papel higiênico mais parecia algum corrimento que eu já tinha visto, do que o tal do “catarro” que as meninas do fórum ficavam descrevendo, e detalhe, não tinha sangue nenhum no meu, apenas uma grande quantidade de uma coisa estranha. Tentei não me abalar, afinal tínhamos muita esperança que nosso filhão viria apenas dia 14 de Julho (quem não quer aproveitar os últimos dias da gravidez para passear, namorar e esperar a mãe chegar para ajudar?).
Dia 6 de Julho acordei com uma vontade enorme de fazer a mala da maternidade, visto que faltava 1 semana para a data prevista para o parto e eu nem sequer tinha separado o que iria levar para o hospital, comecei a jogar algumas coisas dentro da mala (eu sempre adiava pois achava que assim que a mala estivesse pronta o meu filho poderia nascer a qualquer minuto). Continuei indo algumas vezes ao banheiro (bendito laxante), e durante o dia estava com algumas cólicas chatas (e eu achando que era apenas cólica de dor de barriga). Fiquei o dia todo assim, tentei descansar, e estava louca para receber minha mãe, que chegaria na noite do dia 7. Já tinha até comprado a comida que faria para receber ela para o jantar, e feito planos para o fim de semana, nosso “ultimo” antes de receber nosso filho.
A noite, enquanto fazia xixi, percebi que o tampão que descreviam no fórum(este com a mesma cara do dia anterior, mas com riscos de sangue) acabara de sair! Entrei em pânico, mas nem avisei o Sú, já que sair o tampão não quer dizer que o trabalho de parto vai começar no mesmo dia. Apenas relaxei e pensei que daqui a alguns dias nosso filhote estaria com agente.
Deitamos por volta da meia noite, lá pela uma da manhã acordei com vontade de fazer cocô, mas nada aconteceu…”seria o efeito do laxante novamente?”…e voltando para o quarto alguma coisa me disse para pegar uma toalha e colocar em cima do colchão, caso a bolsa estourasse, e assim eu fiz. Fiquei acordando com algumas cólicas mas logo dormia. Quando foi duas e pouco da manhã acordei novamente com as cólicas, que eram passageiras…fiquei acordada prestando atenção quando ouvi um “ploft” bem perto da costela…ops a bolsa estorou! Foi uma sensação muito engraçada, já tinha ouvido algumas amigas relatarem que o barulho parecia de um balão estourando dentro da barriga, e foi assim mesmo. Pensei como eu iria fazer (pois precisava fazer xixi)….criei coragem e levantei da cama (durante a gravidez toda achava que ia colocar o pé no chão e a bolsa iria estourar…e foi quase isso hehe), depois de 5 passos em direção ao banheiro começou a escorrer um líquido pelas minhas pernas, não era muito, parecia que eu estava fazendo xixi. Parei em frente a porta do nosso quarto e acendi a luz rindo muito, afinal meu sexto sentido estava era muito que apurado nesta noite. Assim que a luz acendeu meu marido pulou da cama querendo saber o que aconteceu ( a cara de pânico dos maridos nesta hora não tem preço), eu ria muito (de nervoso talvez?) e falava para ele que a bolsa estourou, ele saiu correndo e começou a dizer que precisávamos ir para o hospital….peguei uma toalha (pois é, fiquei andando com a toalha no meio das pernas até ir para o hospital), e voltei a fazer a mala da maternidade, enquanto isto o Sú começou a se arrumar. Pensei se deveria tomar um banho antes de ir, mas como a bolsa não tinha estourado completamente (estava apenas “vazando), imaginei que iria escorrer muito líquido ainda, não era a hora de tomar banho, em vez disso liguei a filmadora e fiz um último relato antes do Nick nascer, e uma última foto da barriga. Neste meio tempo comecei a ter contrações de 5 em 5 minutos, durante a gravidez inteira fiquei me perguntando como eu saberia marcar as contrações, e posso afirmar que na hora você vai saber quais são as verdadeiras contrações e como marcar elas.
Corri para a cozinha para tomar um leite e comer um pãozinho, só para me prevenir, vai que o trabalho de parto dura muito tempo? Depois foi hora de ligar para meu pai e minha sogra, para avisar que seriam avós (enquanto isto minha mãe estava no avião e nem imaginava que o netinho estava a caminho). Ah e claro, sem esquecer antes de atualizar o facebook, afinal eu queria toda energia positiva das pessoas neste momento.
E lá fomos nós para o carro, eu sentindo um incômodo para sentar (a cabeça dele já estava começando a descer pelo canal), e o marido ficando super tenso pois o sinal do GPS não pegava.
Liguei o rádio do carro mais alto e ficava tentando relaxar e cantar as músicas (dica da parteira que nos ensinou que quanto mais relaxada e tranquila a mulher estiver nesta hora, mais rápido acontece o parto, já que a ocitocina – um hormônio responsável pela contração durante o parto- é produzida quando a pessoa sente amor e prazer), percebendo cada segundo deste momento tão mágico…estávamos prestes a conhecer nosso tão amado filho! Poucos minutos dentro do carro e as contrações começaram a vir de 3 em 3 minutos, e estas já estavam ficando doloridas a ponto deu não querer falar durante elas, achar uma posição para ficar sentada foi uma tarefa complicada. Depois de 20 minutos do percurso (e sem sinal no GPS) decidimos que se ele não funcionasse até a última saída para a cidade do hospital, voltaríamos para o hospital perto de casa. E foi no último segundo que eu rezei para o GPS funcionar, já que este era o hospital que eu tanto queria ter o meu filho….e no segundo seguinte o GPS funcionou, ahhh que alívio para mim e para o Sú.
Chegamos no hospital as 3:35 da manhã, estava tudo vazio e só havia uma mulher na recepção. Assim que ela me viu ela já ligou para a hebamme (parteira) para avisar que eu estava subindo. No caminho até o andar eu precisava parar de vez em quando, pois as contrações estavam mais fortes. Chegando lá a parteira veio nos receber (e o melhor, falando inglês já que a secretária avisou que nosso alemão era mais ou menos), fiquei tão aliviada pois este era um dos pontos que me preocupavam na hora do parto.
Ela nos levou para a sala pré-parto, onde fiquei sendo monitorada por 40 minutos, durante este tempo as contrações, que vinham a cada 3 minutos, passaram a vir a cada 5 minutos, e ela explicou que isto acontece por causa da adrenalina (pode ser medo, nervosismo, etc), que é o contrário dos sentimentos que produzem a ocitocina, então era hora de relaxar mesmo e deixar rolar.
Fiquei alguns minutos deitada na cama e as contrações vinham cada vez mais fortes e muitas vezes acompanhada de uma vontade de fazer força (igual quando você quer fazer cocô)…pedi então para ela ver com quantos centímetros tinha de dilatação: 5 cms e ele já tinha descido 4 cms no canal!!
A parteira sugeriu que eu ficasse de joelho na cama e apoiada na cabeceira da cama, e assim fiz, esta posição foi boa por algum tempo, mas a vontade de fazer força começou a ficar muito mais intensa (achei que esta vontade só apareceria com 9 ou 10 cms de dilatação). Perguntei para a parteira se poderia fazer força e ela disse que ainda não era hora, mas que se eu me sentisse melhor poderia fazer….então eu alternava entre fazer ou não força durante as contrações.
Hora de tomar alguma coisa….pedi um buscopan e na hora ela me deu, foi um alivio saber que neste hospital (conhecido por ser super “natureba”) poderiam atender meus pedidos de remédio, que me ajudou por algum tempo, as contrações vinham um pouco mais leves a vontade de fazer força também.
Depois tudo pareceu como um sonho, perdi a noção de tempo, do que acontecia no quarto, e em alguns raros momentos consigo lembrar com “lucidez” o que aconteceu. Lembro bem que a parteira que veio aqui em casa, me ensinar algumas técnicas para a hora do parto, dizia que muitas mulheres entravam em um estado de “transe” perto da hora de fazer força, e foi assim que me senti. Ouvia meu marido conversando com a parteira, mas não conseguia prestar muita atenção, ficava centrada no que estava acontecendo comigo e com o meu corpo, e claro, rezando para que meu filho viesse logo e com saúde.
Lembro do meu marido tentando me acalmar e me apoiar, falando que já estava acabando e fazendo carinho na minha cabeça, e eu virando o “bicho” quando ele falava que já estava acabando, afinal ainda faltavam alguns centímetros para dilatar (maridos, por favor leiam sobre o parto e como ajudar a esposa durante o trabalho de parto, isto foi muito importante!).
Hora de me examinar novamente….e para a minha surpresa já estava com 8 cms! A parteira ficou muito empolgada pois dilatei 3 cms em uma hora (o “normal” é 1 cm a cada hora). Uma hora? Nossa foi a hora mais demorada da minha vida….nesta hora o buscopan já não tinha mais nenhum efeito e eu estava exausta…tomava água a cada 20 segundos (que sede que dá!).
A vontade de fazer força me deixava muito mais exausta do que as contrações, que estavam longas e doloridas, uma das posições que me deixou um pouco mais confortável foi me ajoelhar na cama e sentar em cima das pernas, assim eu conseguia fazer força e tirava um pouco da pressão que a cabeça dele estava fazendo. Algum momento depois lembro que estava sentada na cama e perguntei para a parteira se poderia tomar uma peridural, caso eu realmente precisasse. Ela disse que iriam fazer um exame de sangue para ver se eu não tinha algum problema e que logo que ficasse pronto poderia tomar, mas que eu tinha dilatado tanto em tão pouco tempo que eu deveria considerar não tomar, já que a peridural atrapalha o processo de dilatação. Quando ela me falou que iria demorar meia hora para o exame ficar pronto eu entrei em pânico, eu queria só alguns minutos de paz sem dor ou vontade de fazer cocô hehe.
Hora de ir para a sala de parto, ela era muito maior, tinha banheira e também um pano pendurado no teto, para quem quiser tentar posições diferentes na hora H. E lá a anestesista foi conversar comigo para me explicar sobre a peridural, o difícil foi prestar atenção no que ela estava falando (e ainda por cima em alemão), ela sugeriu dar uma injeção de camomila já que eu estava um pouco tensa com todo o processo “final”, só consigo lembrar ela pegando uma injeção e enfiando na minha perna. Enquanto isto ela perguntava se eu realmente queria a peridural, e que o exame ainda estava sendo feito.
Não sei quanto tempo passou, a única coisa que lembro é que fizeram o último exame de toque (e em algum deles a bolsa estorou completamente), eu estava com 9 cms, nesta hora já fazia muita, mas muita força quando sentia vontade (parecia a dor de barriga mais demorada da minha vida), lembro da parteira falando que ele ia nascer dia 7/7 e meu marido dizendo que ele poderia nascer ainda as 7 horas…olhei o relógio e ainda eram 6:30 da manhã, meu pensamento foi “ainda faltam 30 minutos até as 7? Aiii não vou aguentar!”, e lembrei que a minha parteira contou que quando a mulher acha que não aguenta mais é que esta realmente perto do bebê nascer.
Novamente chamei a parteira e pedi a peridural, ela perguntou se eu tinha certeza que queria pois estava muito perto dos 10 cms, e eu exausta, morrendo de calor e sede senti um aperto no coração, pois durante a gravidez decidi que adoraria tentar um parto natural (sem anestesia) que fosse na banheira ou na cadeira para parto de cócoras e não deitada na cama, mas aqui estava eu, na boca do gol, no último minuto do segundo tempo, sem goleiro nenhum, e eu chutando a bola pra fora. A minha decepção foi tão grande quando disse um “sim” para ela, eu segurava um choro, dava um engasgo e deixava o meu sonho ir por água abaixo. Nesta hora eu disse para o meu marido que agora entendia como era fácil pedir uma cesárea, como nesta hora podemos ser “manipuladas” para tomar ou aceitar qualquer coisa…estamos cansadas, frágeis e achamos que não aguentamos mais nada, mas agora percebo que somos mais fortes e temos mais força do que imaginamos, é só deixar os pensamentos de lado, eles que atrapalham nesta hora. Como o exame não ficava pronto, a parteira resolveu fazer mil perguntas já que o exame da peridural não ficava pronto e logo chamou a anestesista novamente…pediu uma assinatura minha e foi a assinatura mais horrível que já fiz haha de tanto que me contraia na hora da contração. Quando a anestesista chegou e mandou eu deitar de lado a dor e a vontade de fazer força ficou tão insuportável que eu jurei que meu filho queria nascer naquele momento, e a anestesista e a parteira decidiram não dar, já que parecia que a hora do bebê nascer tinha chegado. Tentei várias vezes, elas me examinaram mas depois de um tempo sem nada acontecer pedi novamente, quase aos prantos, a bendita peridural….e toda vez que a parteira perguntava se eu tinha certeza eu me sentia arrasada por estar acabando com meu sonho.
Novamente veio a anestesista e enquanto meu marido e a parteira me seguravam (já que eu não conseguia parar me mexer durante a contração) ela tentava enfiar a agulha nas minhas costas, e isto pareceu uma eternidade. Depois de alguns minutos a anestesia já começou a fazer efeito, sentia a dor e a vontade de fazer força ficarem bem menores e até consegui conversar, rir um pouco e dormir (eu e o marido) por alguns minutinhos. Os dedos do pé começaram a formigar bem de leve e perguntei para a parteira depois de quanto tempo eu não iria mexer mais as pernas, e lá veio a segunda notícia mais linda do dia (a primeira é que meu filho estava para nascer), eles me deram uma anestesia chamada “walking epidural”, que é uma anestesia bem mais fraca do que a famosa peridural, sedando apenas os nervos da barriga para que a grávida não sinta a dor da contração mas sinta quando esta tendo uma contração, e deixando ela livre para tentar outras posições na hora do parto. Claro que isto vai de hospital para hospital, pois conheço algumas pessoas que tomaram esta anestesia e não conseguiram andar já que a quantidade da anestesia foi um pouco maior. Mas no meu caso foi maravilhoso!
Depois de dormir alguns minutos lembro que voltei a sentir as contrações mais fortes, a vontade de fazer força voltou (mas desta vez não sentia a dor da contração na barriga) e eu sentia uma dor no meio das pernas, como se “ob” gigante estivesse intalado, a parteira pediu para eu ficar de pé em um lado da cama enquanto meu marido ficava do outro lado da cama me dando a mão durante as contrações. Ela explicou que estava demorando para ele nascer pois ele estava na posição contrária para nascer, “olhando” para a minha barriga e não para as minhas costas, então ele teria que virar primeiro para conseguir nascer.
Fiquei naquela posição por vários minutos, era bem confortável e fazer força parecia mais fácil, ela pedia para que eu ficasse mexendo o quadril de um lado para o outro para criar mais espaço para o bebê conseguir virar, esta parte sim era difícil, afinal tinha um “ob” gigante no meio das minhas pernas e a dor lá embaixo era muito grande.
Até este momento eu tentava me controlar para não fazer muito barulho nem gritar, mas conforme o tempo passou a parteira começou a soltar um “aaaaa” bem longo e alto quando eu tinha uma contração (ainda bem pois na hora agente esquece tudo o que leu e aprendeu), ela olhava carinhosamente nos meus olhos e fazia o barulho, e eu devagar fui imitando ela. E vou dizer, este som era ótimo, é como dar um grito bem alto quando estamos com raiva, este som conseguia fazer eu jogar minha canseira lá longe, fazer aliviar um pouco toda a dor que senti e as novas dores que estava sentindo, e me acalmava na hora que eu queria chorar de exaustão (afinal eu não sou de ferro).
Novamente a parteira pediu para eu mudar de posição, engraçado como nestas horas eu perdi totalmente o poder de tomar decisões, tudo o que me sugeria eu aceitava. Ela preparou a cadeira para o parto de cócoras, e eu amei já que não tinha nem comentado com ela que esta era uma das minhas preferencias. Colocou uma cadeira normal atrás dela para que o Sú sentasse e pudesse ficar perto de mim enquanto eu fazia força. Ele ficou me dando água, passando um pano com água gelada nas minhas costas e também me abanando, pois eu sentia muita sede e muito calor.
Esta foi a hora que voltei a “lucidez”, lembro de tudo o que senti e de tudo o que acontecia a minha volta. Quando eu sentia a contração chegar era hora de fazer muita, mas muitaaa força, a parteira ficava sentada no chão na minha frente e eu naquela cadeira que parece uma “privada”( como uma amiga minha me disse “é como se você estivesse fazendo um cocozão”, mas vai dizer que não tem posição melhor para fazer isto do que sentada? Já imaginou você fazendo cocô deitado, não deve ser muito fácil né? )
Lembro que ela pediu para eu colocar a mão lá embaixo e eu conseguia sentir um pedacinho da cabeça dele. Sempre achei que este momento iria me trazer mais força para que ele saísse logo, mas eu fiquei é com medo…já estava sentindo muito dor lá embaixo, uma dor como se alguma coisa estivesse me rasgando e tinha medo da dor quando a cabeça dele saísse. Enquanto isto ela trouxe um balde com água morna e molhava um pano na água e colocava lá embaixo para deixar o períneo mais mole, para (tentar) não rasgar quando o bebê saísse.
Mais algumas contrações e a parteira pediu para eu fazer força 3 vezes durante cada contração, perguntei quanto tempo ainda faltava e ela disse 12 vezes…eu (que não sou nada boba) perguntei se eram 12 “forças” ou 12 contrações, e lá veio o balde de água fria 12 contrações. Ahhh eu ainda teria que fazer força 36 vezes? Afff. Neste momento ela pegou o telefone e ligou para a médica, oba já estava quase na hora dele nascer, ela chegou no quarto e ficou só de lado vendo os últimos 30 minutos do parto, para ver se o bebê estava bem quando nascesse.
Novamente ela pediu para eu colocar a mão lá embaixo para sentir a cabeça dele, e ela já estava quase saindo…..o medo voltava mas não tinha o que fazer, agora era fazer força para ele sair logo, fazia toda força do mundo, sentia tudo ardendo e rasgando lá embaixo, e finalmente a cabeça dele saiu. Coloquei a mão na cabeça dele, fiquei encantada em sentir pela primeira vez o meu filhão e isto sim me trouxe força para fazer as últimas forças. Não via a hora de ver o rostinho dele!
A parteira então pediu para nas próximas contrações não fazer força (afff como não fazer?) e apenas respirar como cachorrinho…..e assim eu fiz e logo o corpinho dele saiu. Me deram ele e pediram para colocar ele no peito enquanto limpavam ele com uma toalha e esfregavam as costas dele para que ele começasse a chorar. Enquanto segurava ele a parteira pediu para eu fazer força 2 vezes e assim a placenta saiu (foi o parto mais fácil do dia hehe).
Ele ficou um tempão nos meus braços, e foi o Sú que cortou o cordão dele. Depois de alguns minutos (e algumas fotos) fui com ele nos braços até a cama e me deitei para que ele pudesse mamar. Foi uma delícia ver ele, nosso filhão! E nesta hora toda a dor e cansaço desapareceram, tudo era só alegria.
Mostraram-nos a placenta e explicaram cada parte dela (muito interessante, afinal ela que tomou conta do nosso filho) e muito calmamente me explicaram que iriam pegar o bebê para examinar ele na bancada em frente a minha cama. O pai acompanhou tudo, enquanto a médica foi costurar os 2 cortes e o períneo que rasgaram durante o parto. Depois eu fui tomar banho enquanto o meu marido ficou deitado sem camisa segurando o bebê peladinho no peito (aqui chama-se “bonding”).
E a melhor parte do dia foi o Sú indo pegar minha mãe no aeroporto as 7 da noite e contando para ela que o Nick havia nascido!
Nosso filhão nasceu as 10:02 da manhã, com 51 cms e 3,670 kgs, depois de 8 horas de trabalho de parto!
Um trabalho de parto considerado “rápido”, e na minha cabeça também considerado muito mais rápido que isto…ainda não consigo entender que foram 8 horas, na minha cabeça parece tudo aconteceu em 3 ou 4 horas…e que horas….quantas emoções, quantas sensações, quanta satisfação em ter o parto do jeito que sonhei, ser a dona do meu próprio parto, sentir cada contração, saber quando fazer força, saber que posso sim passar por tudo isto e que não é o fim do mundo. A dor existe, mas a dor passa, e com isto ela traz uma alegria imensa, uma sensação de poder, de saber que eu superei meu próprio medo, meu próprio limite, e que eu posso mais do que eu imagino….me senti poderosa….e na próxima quem sabe sem nenhuma anestesia?
Fiquei imensamente grata ao Sú, por ter ficado comigo o tempo todo, cuidado de mim e as parteiras, por terem sido tão pacientes, por serem tão carinhosas neste momento em que temos tantas dúvidas, medo e que mais precisamos de apoio.





Nao há como nao se emocionar com seu relato! ainda mais que eu estou grávida e nos momentos finais (mais 2 semanas e meu bebê está chegando). É muito bom poder ler o relato de alguém, ajuda a nos dar forca e coragem pra esse momento. Estou tao aflita e ansiosa! Obrigada por dividir esse seu momento neste espaco público, com certeza seu relato vai ajudar muitas mames e inspirar outras a terem o bebê por parto normal.
Nossaa!!! Me encantei e assustei ao mesmo tempo com o seu relato
, penso em fazer parto normal. Conheci o seu blog no da Isabela.